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Edição 13

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Colunas - | HeartBeats |

Eli Iwasa
Sempre quis ter um espaço para falar do que gosto, do que me inspira e das pessoas que fazem parte da música eletrônica.
A coluna Heartbeats veio para suprir esse desejo, falando de música, de festas, de DJs e produtores, e de tudo mais que é pertinente a esse universo tão fascinante, de uma forma muito pessoal e vinda diretamente do coração.
Eli Iwasa, DJ e sócia do Clube Kraft


Meu pequeno diário de viagens.

De volta da Europa com um breve relato do que rolou por lá!

Europa. Quem não quer visitar? Se você for DJ ou dono de club - ou ambos como em meu caso, o velho continente é uma verdadeira meca para absorver informações, novas tendências e tecnologias e ver o que está pegando na cena. Lá existe uma verdadeira indústria de entretenimento dedicada à música eletrônica, com impérios ligados a promoção de festivais, casas noturnas, selos e publicações garantindo seus momentos de diversão. Já se passaram mais de 20 anos desde o Summer of Love e a explosão da acid house, e aquela mentalidade alternativa e cheia de paz e amor foi aos poucos dando lugar a uma bem organizada máquina de fazer festas.

Depois de 3 anos de trabalho ininterruptos no Kraft, finalmente consegui tirar uns merecidos dias de descanso, conciliados a duas apresentações em Barcelona e Paris, que tem sido destino certo nos últimos 6, 7 anos e onde me sinto super em casa. Dessa vez não poderia ser diferente. A festa Squeeze, organizada pelo DJs Tarlouf-X e Ben Men - velhos amigos desde a época do Lov.e Club, q levaram de Mau Mau a Oscar Bueno para França, aconteceu no Nouveau Casino, e trouxe o alemão Marc Romboy, que tinha acabado de retornar de sua turnê brasileira, ao lado de Blake Baxter, produtor de Detroit, antigo parceiro de Marc e sério concorrente ao título de "DJ mais emburrado do mundo". Uma pena. Eu realmente gosto da atmosfera do Nouveau Casino, originalmente um pequeno espaço para shows que abriu portas para eventos eletrônicos importantes como o Minimal Dancing e as festas do Btrax Records , com um projeto bem interessante de acústica e um sound system daqueles que garantem o som batendo forte e limpo o tempo todo. O público? Animadíssimo, composto de DJs, conhecedores de boa música, e sim, gente que simplesmente quer se divertir. Ou seja, a combinação perfeita de pessoas para fazer a alegria de qualquer DJ que passasse por aquela cabine. Dois dias antes, toquei em um dos lendários clubes underground de Barcelona, o Moog. Quem já comparaceu ao Sónar, deve ter ouvido falar ou se jogado nos afters do festival que aconteceram no clubinho, ou nas noites em que DJs como Jeff Mills fazem sets surpresa especialíssimos no inferninho catalão para 200 privilegiados. E justiça seja feita: poucos públicos mostram tanta entrega quando o assunto é se acabar na pista como os espanhóis.

Tenho de admitir que por força da minha personalidade, tendo a olhar com uma visão bem cética o que costumam eleger como o mais bacana e mais legal, e sempre encarei com um pouco de desconfiança todo zum zum zum em torno de Berlin nos últimos anos. Para piorar, na minha breve (e solitária) visita anterior, em pleno gélido outono alemão, não saí assim tão animada com o que tinha visto. Dessa vez, aproveitei para conhecer o Panorama Bar e o Watergate, e bom... admito que mordi a língua. Tem algo realmente enraízado por aqui, onde a música eletrônica deixou de ser novidade há muito tempo e tem um papel permanente na cultura jovem do país. E quanto aos clubs, desnecessário falar que me encantaram com suas estruturas, suas programações cheias de qualidade, e tem alguma coisa verdadeiramente mítica em pegar uma festinha em Berlim, especialmente para mim, uma boa e velha fã de techno - cuja história tem laços tão fortes com essa cidade.

No entanto, depois de uma vida de andanças por aí, em sua maioria pela Europa, sempre volto para casa com a sensação de que a nossa cena é especial. Tem ótimos clubs, de segunda a segunda, com excelentes DJs e produtores brasileiros (ou vai falar que o Mau Mau, Marky, Gui Boratto ou Renato Cohen não estão entre os melhores do mundo?) e os maiores artistas da atualidade dando as caras em eventos a cada final de semana. Ou seja, não deixa a desejar em absolutamente nada. Brasileiro tem uma séria mania de supervalorizar tudo que é gringo, mas já deu a hora disso acabar porque quando o assunto é a festa, não tem para ninguém. Está no sangue, brasileiro tem vocação para ser festeiro. Não tem quem me convença do contrário, especialmente porque o fator humano da nossa cena é imbatível. De nada vale ter um club com o melhor som, a melhor luz, os maiores DJs, se a alma, a paixão não se fazem presente. Perdi as contas de quantas vezes eu estava na sala de casa, ouvindo música com meus melhores amigos, e achava que a melhor festa do mundo era ali, naquele momento. As pessoas, essa alegria contagiante, essa vontade de celebrar a vida apesar de todas as dificuldades e perrengues do dia a dia são o que fazem do brasileiro um povo tão único e no final das contas, é a única coisa que realmente importa.





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Comentários 1

11/09 - tiziana

clap clap clap! parabens eli! pelo artigo divertido e pertinente, por nunca deixar de passar por barcelona, por reconhecer a estrutura f* dos clubs em berlin, por amar techno, e por valorizar os profissionais, publico e energia impares que temos por aqui. nao conheco ainda o kraft, mas jah estah na lista ir a campinas, sei que vou gostar. abs, tizi ps. e tks paulinho pelo link via twitter.



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