Quando o Lov.e Club fechou em abril de 2007, parece que ficou um vazio aqui dentro. Fiz o set de encerramento, e foi impossível segurar o choro - porque grande parte da minha bem sucedida vida profissional como promoter tinha se passado ali na Rua Pequetita e muito da minha realização pessoal também se concretizou no clubinho do coração de São Paulo.
Eu já trilhava outros caminhos, havia mudado para Campinas e cuidava do Clube Kraft há mais de um ano, mas foi difícil cortar esse laço - porque não havia data programada nem nada muito claro sobre o novo clube, e acima de tudo porque tinha ali uma família, uma relação de amizade que saiu da noite e invadiu meu dia a dia, e se prolonga até hoje. Foi uma ruptura brusca e sem volta à vista que deixou um aperto danado com tanta incerteza.
Eis que esse ano despontou com novidades e o Hot Hot começou a ganhar forma. Não podia ser um projeto qualquer - imagina a expectativa de ocupar o lugar do Lov.e depois de 10 anos e tantas noites inesquecíveis que hoje fazem parte do imaginário clubber e da história da música eletrônica no Brasil. A decoração tinha que ser diferenciada, e lógico que o clube tinha de vir cheio de novidades e surpresinhas. A maior de todas, na opinião de quem sempre achou que o sound system é coração pulsante de qualquer lugar que preze pela qualidade musical, é o tão desejado Funktion One, que chega com exclusividade ao Hot Hot, o primeiro club na América Latina a possuir o tão cobiçado sistema. E veja bem - não é qualquer lugar que pode ter um Funktion One, e junto com sua aquisição vem todo um projeto de acústica que tem que ser realizado e colocado em prática, permitindo arrancar o seu melhor resultado sonoro.
Ele nasceu com a herança deixada pelos caras que criaram o Turbo Sound - sound system inglês preferido de 100 entre 100 artistas que sabem o que é um som bom. Imagine dois engenheiros que figuram entre os melhores no que fazem, matutando sobre como deixar o som mais cristalino, mais fiel, pensando no design e na estrutura que privilegiem a propagação de suas ondas, abrindo a mente das pessoas e aprofundando suas consciências.
Deixando o papo meio hippie de lado, o Funktion One é hoje considerado a excelência em termos de sound system e foi eleito por nomes como o Underworld e o Massive Attack para ocupar os estádios e palcos em que se apresentam, assim como estão presentes nos maiores festivais da Europa - de Glastonbury a Creamfields, lá estão as caixinhas de som com desenho diferenciado, inconfundíveis para qualquer amante de seu design - tem gente que torce o bico, mas que nunca nunca questiona a qualidade do que sai de seus falantes.
E mais importante do que isso, vai ser a volta da família que ficou separada por 2 anos - cada um foi cuidar de sua vida, dar seus pulos, correr atrás de seus objetivos, gente que prometeu não voltar, não trabalhar mais na noite, que fez simpatia para outras oportunidades aparecerem, mas dada a largada na corrida para abrir o Hot Hot, teve alguém que quis ficar de fora? Desde a gerente Claudinha, a Alê, o Sr. Carlos dando bronca que gastamos muito nos cachês, o Ricardo nosso competente braço direito, o Hermes fechando a programação, e eu voltando a ocupar meu lugar às sextas feiras ao lado do querido Mau Mau, e dessa vez como DJ residente, todos reunidos e de volta à labuta. Um pouco mais velhos, e com umas ruguinhas a mais, mas com a mesma vontade de estar junto e fazer do clube o melhor do mundo para se estar e se acabar na pista.
Falta pouco. Contagem regressiva para os anos incríveis (e sets memoráveis, causação, bafóns, e tudo mais a que temos direito e amamos!) que vem por aí. A vida noturna de São Paulo nunca mais vai ser a mesma.
Av. Carolina Florence, 1121 - Campinas/SP