Famoso por abrir o caminho do trance no início dos anos 90, Paul Van Dyk é atualmente um dos DJ´s e produtores mais influentes da cena eletrônica mundial. Atuante em causas de inserção social, o alemão quebra a barreira do som e fala com a DJ Mag sobre música, pirataria, democracia e inspiração. Confira!
Por Alice Falanga
DJ MAG BRASIL: Olá Paul. Ano novo ...vida nova....primeiramente queria saber se você está trabalhado em alguma novidade para 2010?
PAUL VAN DYK: Com certeza... novas produções estão a caminho. Estou produzindo, criando, e principalmente me permitindo já trabalhar em um novo álbum com previsão de lançamento para 2011. Enquanto isso, novidades vão rolar, novas tracks vão sendo lançadas... é só ficar ligado.
DJ MAG BRASIL: Sua presença no palco atualmente é sinônimo de um grande evento. Multidões são atraídas não só pela qualidade musical de seu live, mas também por toda composição artística visual e sensorial criada à partir da utilização de aparatos tecnológicos. Você sente que rompeu a barreira do som?
PVD: A tecnologia hoje permite o ser humano ir além. Penso que a utilizo de forma positiva, procuro unir a criatividade às novas tecnologias da melhor forma possível. Por outro lado, me vejo como um artista, e isso é o que artistas fazem. Sou um artista que utiliza a música como forma de expressão. As pessoas que me acompanham entendem isso, diferente daqueles que insistem em limitar os DJ´s.
DJ MAG BRASIL: O que você quer dizer com limitar os DJ´s? Você quer dizer que se sente preso ao estigma do DJ de Trance?
PVD: Antes de tudo eu sou um músico e minha musica favorita é a musica eletrônica. Eu desenvolvo diariamente minha paixão pela musica eletrônica para então poder expressá-la no palco como artista. Esse é o meu trabalho, essa é minha paixão, meu combustível. Não fico chateado, desapontado, nem nada disso... mas é incrível como as pessoas precisam dar um nome para tudo. Denominar um artista a um estilo é uma forma de limitar seu trabalho, é uma pré-concepção barata.
DJ MAG BRASIL: A pirataria on line é um grande problema para o Paul artista? E o Paul internauta? De que forma você utiliza a internet para ampliar seu conhecimento musical?
PVD: Difícil... existem os dois lados da moeda. Por um lado você alcança um número incontável com quem inclusive pode se comunicar; por outro lado entra muito menos dinheiro com a menor venda de discos, e portanto é preciso trabalhar mais... e trabalhar mais significa mais apresentações. Mas o Paul, pessoalmente, também utiliza essa ferramenta on line para conhecer novos artistas, até porquê a musica eletrônica é a verdadeira musica global, responsável por conectar pessoas nos quatro cantos do mundo e atualmente não existe outra forma tão eficaz para se fazer isso.
DJ MAG BRASIL: Você é envolvido em projetos sociais que buscam a recuperação de crianças nas ruas de Berlim, além do seu conhecido relacionamento com instituições como a Anistia Internacional, UNICEF, e até mesmo o Akanksha Children´s Projet na Índia – onde dedica atenção especial. Fale um pouco sobre estes trabalhos.
PVD: Tudo começou em 2002 durante uma visita minha a Mumbai, na Índia. Fiquei estarrecido com a pobreza e a pouca perspectiva de vida digna para aquelas pessoas. A música certamente me deu condição de ter uma vida digna e justa, oportunidade que todos deveriam ter. Não me sinto orgulhoso de fazer parte disso... penso que é um dever de todos ajudar o próximo. Se alguém precisa de ajuda, simplesmente ajude! Não adianta dar esmola, é preciso dar uma opção de vida para estas pessoas. Elas são carentes de educação, de saneamento básico, de estruturas primarias. Penso que é preciso dar opção e não esmolas. Que democracia é essa onde poucos tem muito e muitos tem pouco?
DJ MAG BRASIL: Vários artistas ao redor do mundo estão se unindo com objetivo de arrecadar dinheiro para o Haiti. Você participará de algum show de caridade?
PVD: Não.Uma opção minha é não fazer parte destes eventos, acho mais importante dar o exemplo no dia-a-dia, sabe? No caso do Haiti reverto meus esforços na busca por aviões que possam levar medicamentos até o país.
DJ MAG BRASIL: O que você tem ouvido atualmente?
PVD: Estou pirando em uma produção musical francesa que é composta por um acordeom, é algo sensacional. Também tenho prestado muita atenção em trilhas sonoras... a Alemanha produz ótimos filmes.
DJ MAG BRASIL: Você já esteve no Brasil diversas vezes, alguma observação especial sobre nosso país?
PVD: Eu adoro o Brasil, esse lifestyle... verão, praia, sol, é um país realmente inspirador, adoro esse clima. Acho que a musica eletrônica é um embalo que funciona muito bem com a vibe do país. O publico também é super animado. Adoro o Brasil.