Dobradinhas de produtores, como Leon Huff e Kenny Gamble (do soul da Philadelphia) e Nile Rodgers e Bernard Edwards (do Chic), forneceram alguns dos maiores hits da era disco. Nos anos 1980, foi a vez do duo technopop, representado por artistas como Pet Shop Boys, Soft Cell e Yazoo.
Na música eletrônica moderna, do fim da década de 1980 para cá, alguns dos maiores nomes são ou eram duplas: Masters At Work, Coldcut, Chemical Brothers, Basement Jaxx, Leftfield.
Geralmente, um preenche as lacunas do outro, tanto no estúdio, com um mais DJ cheio de idéias e outro mais nerd, fera nas técnicas de estúdio, como em personalidade, com um mais falante e extrovertido e o outro mais fechadão e sem graça.
O ano de 2010 trouxe boas novidades no formato.
LINDSTRØM & CHRISTABELLE
Saiu no fim de 2009, mas como a maioria das pessoas só começou a escutar esse ano, ele é mais de 2010. O discofreak norueguês trouxe a parceira de algumas produções mais antigas para cantar em um álbum inteiro, o excelente Real Life Is No Cool. Tem R&B, disco, house, soul, pop e uns troços esquisitos no meio. Lindstrøm menos cósmico, mais enxuto. Caiu bem.
CHARLOTTE GAINSBOURG & BECK
OK, mais pop e rock, até folk, que eletrônica mesmo. Mas alguém liga quando o som do álbum IRM é tão bom e muitas faixas até dão pra dançar. Afinal, Beck, mesmo em seus momentos mais acústicos, não nega que lá dentro bate um coração grooveiro. E tem os remixes, de caras como Diskjokke e Matthew Dear.
RUSKO & BRITNEY SPEARS
Por essa ninguém esperava. A diva-encrenca do pop se aliando à aristocracia do dubstep londrino. Rusko é um cara que vem costurando bons contatos graças à potência de seu som. Ele ficou amigo do Diplo, trabalhou no álbum novo da MIA e, ajudado pelo fato de que o dubstep está cada vez mais falado nos EUA , chegou até esse improvável trabalho: fazer algumas faixas para o próximo disco de Britney.
LCD SOUNDSYSTEM
Um dos álbuns mais ouvidos, falados, twittados e compartilhados desse ano foi This Is Happening, o terceiro do LCD Soundsystem. Detalhe: tudo isso aconteceu antes do lançamento oficial do disco, mais vazado que encanamento antigo. James Murphy chegou a implorar num show para que as pessoas esperassem o disco sair oficialmente. Obviamente, ele não foi atendido. O consolo para ele e seu comparsa Pat Mahoney é que o disco já é considerado um os melhores deste ano.
CRYSTAL CASTLES / GOLDEN FILTER
As paragens do synth-pop anos 2000, esse meio de campo de grupos que fundem italo, indie, electro, disco, pop, beats crocantes e teclados açucarados, têm alta densidade de duplas: Glass Candy, Empire of the Sun e Cut Copy são algumas das que ficaram conhecidas do meio para o final da década passada. Esse som chega em 2010 com duas boas tentativas para se manter em pauta: os álbuns do Crystal Castles, que leva o nome do grupo, e do Golden Filter, Voluspa. Irregulares são, mas se você souber procurar, acha muita música boa.
FATBOY SLIM & DAVID BYRNE
Deixe seus preconceitos na porta. A dupla fez no disco Here Lies Love música bem-humorada, equilibrando sons clássicos e modernos. O conceito do álbum é peculiar: a vida de Imelda Marcos, superperua, dona da maior coleção de sapatos do mundo, mulher do ditador das Filipinas nos anos 1970 e 1980, Ferdinand Marcos. Imelda, além de politicamente deplorável, é uma patética figura kitsch, envolvida até hoje com a vida pública filipina (Ferdinand foi deposto e morreu em 1986). Byrne e Cook são ajudados por um timaço de convidados como Santigold, Florence Welch (da banda Florence & The Machines), Tori Amos e Cyndi Lauper.